domingo, 10 de abril de 2016

TB'16 - Expedição TAXPOmol Biodescoberta 2016 (Dia 01 - 07/04/16)

1º dia de expedição: contatos em Fortaleza no intuito de contratar embarcação para o cruzeiro em alto-mar. Saímos às 10:00h ciceroneados pelo Sr. Jac Nogueira da empresa MARIMAR, que nos conduziu ao estaleiro INACE para que conhecêssemos a embarcação Tropicaliente. Esta embarcação de 35 m de comprimento já portou guincho no passado, mas a instalação deste equipamento agora implicaria em cerca de 30 dias de tramitação na Capitania para regularização da nova configuração. Essa informação foi uma tremenda ducha de água-fria para nós. Mas uma, depois de tantas ... De todos modos, a diária padrão da Tropicaliente é de R$12.000,00, afora diesel, água, guincho, etc ..., o que estava muito fora de nosso pressuposto contingenciado. Assim, pareceu-nos mais que apropriado conhecer outras embarcações, menores, e de custos mais baixos de locação. Sugeriu-nos então o Sr. Nogueira que fôssemos a um estaleiro menor na Barra do Ceará, onde se encontram diversas embarcações menores da Marimar, bem como outras ainda menores que poderiam ser agenciadas pela empresa TSN.

Isso remete a outra questão que não nos havia ocorrido. As tripulações destas embarcações são contratadas na base de 15 dias em mar, onde podem ser solicitadas 24/7, e 15 dias em terra. Em resumo, não existe tripulação contratada por diária, a menos que se compartilhe o custo mensal mínimo com outros interessados. Contratar uma tripulação por todo este período estava absolutamente fora de nossas possibilidades de recursos contingenciados. Assim, só conseguiríamos empreender nosso cruzeiro caso encontrássemos uma "sobra de contrato". Até com embarcações em São Luis (MA) nós verificamos essa possibilidade... sem sucesso.



Embarcação Tropicaliente da Marimar, preparada para receber um guincho centralizado em popa, que atenderia perfeitamente nossas necessidades de acesso ao Bancos Canopus e Aracati. Os recursos que economizamos ao longo de 2015 não alcançariam dois dias de aluguel desta embarcação.

Sala de comando da embarcação Tropicaliente.

A Tropicaliente foi utilizada para transporte de passageiros, mas esse espaço interno climatizado poder ser facilmente convertido em camarotes para abrigar pesquisadores.


Espaço interno da Tropicaliente já convertido em camarotes.

Popa da Tropicaliente mostrando amplo espaço para trabalhos no convés, e a base centralizada para fixação do guincho.


Sala de máquinas da Tropicaliente. Como exigido em "offshore", são dois motores e dois geradores plenamente funcionais. A temperatura aí beira o SURREAL, e reparem que os motores estavam desligados!

Eduardo, Sr. Nogueira, e as doutorandas Camille e Cristiana, concluindo a visita à Tropicaliente.

Eduardo, Cristiana e Camille na proa da Tropicaliente.

Vejam quem estava ao lado da Tropicaliente! O Ciências do Mar I da FURG (Universidade Federal do Rio Grande). A embarcação ainda não está 100% pronta para sair, mas de todos modos, por sugestão do Sr. Gil Bezerra, Presidente do Estaleiro INACE, contatamos a FURG (Prof. Dr. Danilo Calazans), na esperança que pudéssemos unir o útil ao agradável. Por coincidência a embarcação está no Ceará, onde a necessitávamos, e haverá necessidade de uma saída piloto para testar o funcionamento de todos os sistemas a bordo. Infelizmente, segundo o Prof. Calazans, o Ciências do Mar I não sairá ao mar antes de Junho. 

Sala de comando do Marimar 14, de 25 m de comprimento, com diária de aluguel na faixa de R$8.000,00, já um pouco mais de acordo com nosso pressuposto. Com um pouco de ginástica conseguiríamos emplacar três diárias.

TB'16 - Expedição TAXPOmol Biodescoberta 2016

Em 2014 tivemos a grata notícia da aprovação, sem cortes, de nosso projeto submetido ao Edital de Ciências do Mar da CAPES (MEC). A seguir, o resumo do projeto:

Projeto MBQMar

QUALIFICAÇÃO DE PESSOAL EM MAPEAMENTO DE BIODIVERSIDADE E QUIMIODIVERSIDADE MARINHA NO ATLÂNTICO TROPICAL OCIDENTAL– esponjas como modelo de estudo, das Antilhas ao Rio de Janeiro e do entremarés à zona batial

O projeto MBQMar reúne equipes interdisciplinares de importantes universidades do país, lideradas pela UFRJ e UERJ. Estas equipes vêm atuando de forma integrada no âmbito de iniciativas diversas, às quais recentemente agregou-se o Laboratório Internacional Associado MARRIO, formado por pesquisadores brasileiros e franceses, e que juntamente com o MBQMar, poderá impulsionar o estudo integrativo da biodiversidade e quimiodiversidade de poríferos no Atlântico Tropical Ocidental. O estudo da biodiversidade produzirá mapas de distribuição e endemismo, e avaliará a conectividade entre poríferos brasileiros e caribenhos. O foco do projeto em inovação se reflete no uso de um verdadeiro «arsenal tecnológico» para elucidar questões primordiais do mapeamento de recursos vivos e suas potenciais aplicações biotecnológicas. A caracterização de espécies fará uso não somente de microscopia óptica e eletrônica, mas também de sequenciamento de RNA e DNA mitocondrial, e de HPLC-DAD-ELSD-MS (cromatografia líquida de alto desempenho, associada à detecção de arranjo de fotodiodos, detecção evaporativa de espalhamento de luz e espectroscopia de massa). Espécies bem caracterizadas permitirão mais facilmente a detecção de complexos. Avançaremos assim o conhecimento acerca da real diversidade biológica em mãos, e viabilizaremos foco mais preciso e maior repetibilidade de estudos bioprospectivos, através de uma melhor compreensão da variabilidade intraespecífica em escala temporal, geográfica e batimétrica. Este melhor foco e maior eficiência em bioprospecção será alcançado com a abordagem integrativa do fingerprinting metabólico, que se usará paralelamente ao protocolo tradicional do fracionamento guiado por bioensaios. As assinaturas químicas obtidas na forma de metabolomas constituirão um banco de dados que auxiliará a derreplicação de estudos químicos, e uma biblioteca de caracteres quimiossistemáticos, que se utilizará na abordagem taxonômica integrativa. Além dos bolsistas diretos do projeto, a formação de recursos humanos especializados agregará também alunos com bolsas obtidas nas seleções regulares de ingresso nos programas de pós-graduação apoiadores desta proposta, bem como pós-doutorandos (PNPD, PDJ).


A primeira expedição organizada com recursos deste projeto, em contrapartida aos do LIA-MARRIO [Laboratoire International Associé - MARRIO (CNRS-CAPES)] foi a de Abrolhos em Dezembro de 2014 (ver postagens neste blog - http://esponjasbrasileiras.blogspot.com.br/2014/12/bahia-em-01-07-de-dezembro-de-2014.html). Para 2016 os planos eram muito mais ambiciosos, refletindo as diversas facetas dos estudos em Ciências do Mar efetuados no TAXPO/UFRJ, agora TAXPOmol/UFRJ. Nossos alvos de trabalho incluíam forçosamente materiais de águas rasas e profundas, obrigando-nos a adotar uma estratégia amostral bem distinta daquela da Expedição EXPO-CERN de 2014 (http://esponjasbrasileiras.blogspot.com.br/2014/04/ii-expedicao-do-pnpd-expedicao.html), quando a coleta costeira atendia nossas necessidades. Agora, precisávamos conseguir materiais dragados em alto-mar, bem como coletados através de mergulho autônomo no arquipélago de Fernando de Noronha. Naturalmente, para levar a cabo este intento, só com um aporte considerável de $$$.

Foram muitos meses de preparativos, e mais que tudo, economia. Com a maior parte dos recursos outorgados ao nosso projeto, contingenciados pela administração federal, reduziram-se em muito nossas opções. O relato que vocês verão nas próximas postagens, ilustra até onde conseguimos avançar na Expedição TB'16, ainda em curso.

Planejamento tentativo do Cruzeiro Oceanográfico que pretendíamos realizar em parceria com o LABOMAR/UFC, valendo-nos de sua nova embarcação, o ARGO Equatorial.
[Mapa modificado de Palma et coll. (2008),  Projeto REMAC. Estruturas e tectonismo da margem continental brasileira, e suas implicações nos processos sedimentares e na avaliação do potencial de recursos minerais (relatório final). Haroldo Erwin Asmus, ed. Rio de Janeiro, PETROBRÁS, CENPES, DINTEP, 1981. Toponímia: Koji Jinno. Toponímia submarina brasileira. Rio de Janeiro: PETROBRÁS; E&P Exploração e Produção, 1998. Projeto LEPLAC.]


Dragas adquiridas para coleta de materiais de mar profundo ao largo da costa do estado do Ceará. A do meio pesa entre 50 e 60 kg, sendo a mais robusta das três, e aquela que mais provavelmente poderia enfrentar leitos oceânicos duros.











segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Bahia em 01 a 07 de Dezembro de 2014 (ABROLHOS em 03 a 05!!)

OBJETIVOS DA EXPEDIÇÃO:

(1) Coletar material fresco de Monanchora arbuscula com a finalidade de testar técnicas de extração de DNA e RNA para fins de seleção dos marcadores moleculares mais adequados ao estudo de suas populações; bem como para condução de estudos de metabolômica.

(2) Coletar material fresco de espécies da Classe Homoscleromorpha para estudo taxonômico e de metabolômica

(3) Coletar material fresco de Agelas spp. para estudos de metagenômica

(4) Coletar material fresco de espécies da Classe Calcarea para estudos taxonômicos, de genética de populações, e de metabolômica; e

(5) Buscar novas espécies e novos registros de espécies de poríferos para a área

Participaram da expedição: Eduardo Hajdu, Thierry Perez (pesquisador Universidade de Marselha, França), Olivier Tomaz (pesquisador Universidade de Nice, França), Dra. Fernanda Azevedo e Dr. João Carraro (Museu Nacional/UFRJ), M.Sc. André Pádua (IBUFRJ), M.Sc. Camille Leal (Museu Nacional/UFRJ), André Bispo (UFAL), além de dois motoristas do Museu Nacional, os Srs. Carlos Lustosa e Carlos Novaes. Localidade, Parcel das Paredes e PARNAMAR ABROLHOS (Caravelas, BA).

Autoria das fotos: Eduardo Hajdu, André Bispo, André Pádua, Camille Leal, Fernanda Azevedo, e João Carraro.

Vista do Arquipélago dos Abrolhos nos momentos finais da aproximação com o Catamarã Sanuk que havíamos alugado para a expedição. Da esquerda para a direita, ilhas Guarita, Santa Bárbara, Redonda, Siriba e Sueste. A primeira e a última são áreas vedadas ao turismo. Tivemos oportunidade de mergulhar na Guarita e na Santa Bárbara apenas. Os demais mergulhos foram realizados em áreas de parcéis/chapeirões. Ao todo foram sete mergulhos, e a maior profundidade que alcancei com minha dupla, Camille, foi de 16 m.

Não há quem consiga ficar imutável na hora da aproximação das ilhas. Pelo menos não dentre nossa equipe de praticamente novatos na pesquisa nesta área. Minha última passagem por Abrolhos fora em 1987, com Cláudia Russo (UFRJ), George Olavo (UEFS), e não me recordo quem mais. Na época tivemos autorização para acampar na Ilha Redonda, e constatar pela manhã o tamanho do buraco aberto na barraca durante a noite pelas ratazanas, atraídas pelo cheiro do pão que havíamos levado conosco. Desta vez - 2014, nada de autorização para acampar. Aliás, qualquer desembarque somente com autorização específica. Nossa proposta era ficar mesmo no barco que dispunha de razoável conforto para o trabalho, alimentação e pernoites.

Thierry Perez e Olivier Thomas (de boné) também apreciando a aproximação ao arquipélago. Foram cinco horas de navegação no catamarã. Sob a caixa branca na qual se apoiam os pesquisadores estava o compressor de alta pressão utilizado para a recarga dos cilindros de mergulhos.

Vista parcial da plataforma de mergulho na popa do Catamarã Sanuk com alguns cilindros em processo de carga. O barco já se encontrava preso às poitas em frente à Ilha Santa Bárbara. Foto tomada no intervalo entre o 1º e o 2º mergulhos.

Ainda em frente à Ilha Santa Bárbara, cumprindo intervalo de superfície entre um mergulho e outro, da esquerda para a direita: André Pádua, Fernanda Azevedo, André Bispo, João Carraro e Camille Leal. Os isopores nos quais se encosta André Pádua estavam repletos de gelo para conservação de material destinado a estudos metabolômicos e metagenômicos. O plano original era congelar as amostras mas não houve forma de conseguir um freezer no SANUK.

A entrada na água para o 1º mergulho não poderia ser mais impactante. Percebe-se imediatamente que estamos em um ambiente vedado à atividade pesqueira.

Um dos principais objetivos da expedição era a coleta desta espécie de esponja, por sinal muito comum em Abrolhos - Monanchora arbuscula. A espécie é conhecida por possuir ampla gama de compostos bioativos, dentre os quais as crambinas, crambescidinas e ptilomicalinas, com atividades antitumorais, antifúngicas, antibacterianas e antivirais. Esta foto foi tomada na Ilha Guarita, em 10 m de prof., e o espécime foi coletado e tombado sob o número MNRJ 19107. 

A esponja Calcarea Clathrina sp. servirá para um estudo de conectividade genética entre populações caribenhas e brasileiras de esponjas - sabe-se que se trata de uma espécie nova, também já coletada na região do Caribe. Este espécime foi obtido nos chapeirões do Parcel dos Abrolhos, em 11,6 m de prof., e está tombado sob o número MNRJ 18844.

A principal motivação para a vinda dos pesquisadores franceses era a busca por "habitantes das cavernas"! Apesar de não termos nos deparado com nenhuma caverna no sentido mais romântico da palavra, a grande quantidade de fendas, locas e túneis encontradas em especial no Parcel das Paredes, onde foi tomada esta foto, permitiu observar algumas espécies típicas deste tipo de ambiente. Aí, a luz adentra em quantidades irrisórias, se tanto, e as algas deixam de ser um dos principais componentes das comunidades biológicas. Esta esponja provavelmente pertence à família Plakinidae (Classe Homoscleromorpha). Logo teremos uma identificação preliminar. Sua consistência sugeria talvez não possuir esqueleto mineral.

Aplysina pseudolacunosa Pinheiro et al., 2007 - que me lembre,´é a primeira vez que vi essa espécie "ao vivo, e em cores". Uma das oito espécies novas descritas neste trabalho. Espécime fotografado nos chapeirões do Parcel dos Abrolhos, em 9,5 m de prof., e tombado sob o número MNRJ 18838. O objetivo desta coleta foi conseguir material fresco para estudo molecular em curso, visando confirmar o status das espécies propostas por Pinheiro et al. (2007). Ocorre que os marcadores moleculares empregados até aqui não conseguiram ainda separar praticamente nenhuma espécie neste gênero. A saga continua!

Pinheiro, U.S., Hajdu, E., Custódio, M.R. 2007. Aplysina Nardo (Porifera, Verongida, Aplysinidae) from the Brazilian coast with description of eight new species. Zootaxa, 1609, 1-51. [o pdf pode ser obtido através de mensagem encaminhada para eduardo.hajdu@gmail.com]

Certamente uma das esponjas mais singulares encontradas. Outra espécie de Chelonaplysilla? Sem dúvida uma Dendroceratida, mas de que gênero? Em www.spongeguide.org não parece haver nada parecido. Neste caso a coleta se deu justamente para permitir acrescentar um potencial novo registro de espécie para o Brasil. Espécime também coletado nos chapeirões do Parcel dos Abrolhos, em 12,2 m de prof., e tombado sob o número MNRJ 18842.

Em época de Natal não dá para deixar passar essa bela "decoração natalina" propiciada pelos poliquetos da família Serpulidae. Neste caso, rodeado por espécimes de Monanchora arbuscula.

Camille ao lado de seu modelo de estudo, a esponja Monanchora arbuscula, que já deu para perceber que está em todo canto. Né? Reparem também nos distintos tons de vermelho, do rosa claro ao vermelho vivo, que essa espécie pode apresentar.

Taí um "habitante das cavernas"! Só que não era quem procurávamos. Vocês já pensaram como seria passar praticamente toda sua vida de cabeça para baixo? Este peixe recifal, o Gramma brasiliensis, gosta mesmo é de curtir o teto destas cavidades nos recifes. Será que é porque aí também há mais esponjas?

Parada para descompressão a 5 m de prof. Fernanda e André Pádua haviam chegado primeiro. Não havia praticamente nada de correnteza, de modo que estava tudo muito tranquilo.

Fim de mergulho no fim da tarde - os dois (três?) "Vs" de Camille e os reflexos do sol valeram um clique. Afinal, cada minuto em Abrolhos vale um registro, ainda mais após um mergulho coalhado de esponjas!

Etanol 96% para os vouchers (espécimes-testemunho) e material para taxonomia, etanol absoluto P.A. para o material destinado à metabolômica. Estes últimos foram acondicionados em Tubos Falcon mantidos em gelo, os demais em sacos WhirlPack, mantendo-se cada mergulho separado em um saco maior. As coordenadas foram obtidas a partir do GPS da embarcação. Desta vez não precisamos obter coordenadas das câmeras fotográficas. Da esquerda para a direita: Maurício (Comandante do SANUK), João, Thierry e Camille, com sua bacia de Monanchora.

Essa era outra hora boa! Nada como não ter de parar para fazer a comida. Santa Daiane fazia isso por nós. Ela era a cozinheira a bordo (ver foto mais abaixo). Nesse dia, bifes, batatas sautée e arroz. Refrigerantes, suco e bonbons completavam o banquete. O vinhozinho era cortesia do Eduardo, em homenagem aos franceses a bordo. Não os queríamos com crise de abstinência! Nunca embarquei em barcos/navios franceses, mas já ouvi falar que são muito "bem abastecidos"! 

Da esquerda para a direita, André Pádua, Camille, André Bispo, João e Fernanda. Niguém se cansou da água!

Isso é um belo resumo do apelo visual do Arquipélago dos Abrolhos. O sol afunda no canal entre as ilhas Redonda e Siriba. Para fechar com chave de ouro um dia de espetaculares mergulhos, só mesmo um por do sol como este ...

... ou este, agora em close.

E depois do por do sol, quem é que assume o show? Apesar do balanço do barco, até que não está mal de todo a foto. Não é? Participação especial: Fregata magnificens (tesourão, fragata, fragata-comum, pirata-do-mar, ladrão-do-mar) . 

Hora da despedida. Aquelas fotos que teríamos gostado de fazer com os pés em terra firme acabaram tendo de ser feitas da embarcação mesmo, pois no dia que conseguimos a licença para desembarque, faltou-nos tempo para poder usufrui-la. Neste canto da Ilha Santa Bárbara, o que parece ser um ninhal de atobás-brancos (Sula dactylatra).

Acreditem: nós vimos baleias na volta! Era para elas estarem se empanturrando de krill na Antártida mas resolveram fazer-nos uma deferência. Mamãe gordona e filhote gordinho pareciam tranquilos, e até onde se conseguia ver, bem nutridos. Afinal, como reconhecer uma baleia subnutrida?



Os oito pesquisadores presentes nesta expedição: em cima, da esquerda para a direita, Fernanda Azevedo, André Bispo, Camille Leal e Eduardo Hajdu; embaixo, Thierry Perez, André Pádua, Olivier Thomas e João Carraro. Todos na proa do Sanuk. 

A equipe de pesquisadores e os tripulantes após a chegada em terra (Caravelas). Daiane, nossa cozinheira, pediu para sair junto dos homens bonitos ... 

Valeu! Mais uma expedição que nos deu certeza de que vamos nos divertir muito fazendo nosso dever de casa. Há um bom número de novos registros a confirmar e oficializar na forma de publicações, além de espécimes destinados a diversos estudos em andamento. Dentre estes, abordagens com foco em variabilidade metabolômica, conectividade genética entre populações de diversas localidades no Atlântico Tropical Ocidental, metagenômica, revisões taxonômicas, biogeografia, etc ...







domingo, 30 de novembro de 2014

Armação dos Búzios em 27-28 de Outubro de 2014

OBJETIVO:

(1) Coletar material fresco de Arenosclera brasiliensis com a finalidade de testar técnicas de extração de DNA e RNA para fins de seleção dos marcadores moleculares mais adequados ao estudo de suas populações.

Participaram da expedição: Eduardo Hajdu, Cássio Albernoz Fonseca (doutorando) e Dora Moura (IC). Localidade, Praia de João Fernandinho, Armação dos Búzios.


Cássio Albernoz Fonseca, cujo projeto de doutoramento procura determinar parâmetros de variabilidade na espécie de esponja marinha Arenosclera brasiliensis. Um de seus objetivos foca na verificação da distribuição desta espécie, que julgava-se endêmica da região do Cabo Frio (municípios de Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios, no estado do Rio de Janeiro)

Dora Moura, aluna da UNI-RIO e estagiária IC do TAXPO tem um projeto vinculado ao de Cássio, onde ela procura determinar quais, dentre as muitas identificações preliminares de esponjas como Arenosclera sp. na coleção de poríferos do Museu Nacional, podem ser efetivamente atribuídas a esse gênero. E mais especificamente à espécie A. brasiliensis, cerne do estudo de Cássio.

Com Cássio à beira de um resfriado e Dora ainda inexperiente em assuntos de mergulho, coube a Eduardo coletar as amostras. Pela indumentária percebe-se que a água não estava nada quentinha.

A "clássica" sequência de imagens para uma amostra coletada. Neste caso, não tão clássica assim, pois inicia-se com uma foto do habitat, seguida de tomadas do espécime alvo, sem e com escala de tamanho (no caso = 5 cm), e conclui-se com a tomada da etiqueta sequencial, ao invés do computador de mergulho. Na foto do habitat, a esponja alvo é visível bem no centro da imagem, ao lado de uma gorgônia "orelha de elefante".

Já falamos destas esponjas mais de uma vez. Seja porque são marcas registradas em alguns mergulhos, espécie de "cartão-postal", seja porque sua taxonomia é para mentes dispostas a encarar desafios complexos. Para quem ainda não se lembrou, trata-se de uma Aplysina. Como, à exceção de uma, todas as demais projeções deste espécime eram cilíndricas, irregulares, com pequenos ósculos dispersos, não há muita dúvida quanto a tratar-se de uma A. fulva, sabidamente muito comum em toda a Região do Cabo Frio, além de boa parte do litoral brasileiro. Porém. a projeção lamelar, em forma de vela de jangada, escapa dos limites imaginários da variabilidade morfológica da espécie, com a consequência de que se vista isoladamente, provavelmente seria identificada como pertencente a outra espécie.

Dentre os animais coletivamente conhecidos como "NÃO-ESPONJAS", destacam-se alguns tunicados (ascídias) por sua rara beleza. Cada indivíduo aqui (cada dois sifões) é pouco maior que um grão de arroz.

Outra "NÃO-ESPONJA" bonitinha.

O "vigia" do costão. Nunca havia conseguido chegar tão perto de um peixe desses, que conheço como peixe-lagarto.

Bonito ele é, mas a corrente dos que não o consideram bem vindo no litoral brasileiro é forte. O coral-sol está cada vez mais presente em nossos mergulhos.

Uma medusa! Com a água-clara assim dá até vontade de ficar procurando "modelos" para umas tomadas em distintos níveis de contraluz. O mais comum é passar o mergulho inteiro "lambendo" a rocha sem se dar conta do que ocorre no "andar de cima" (coluna d'água).

Esta imagem não é para comparar com Fernando de Noronha, Abrolhos, ou Caribe! Essa água, aqui no Estado do Rio, e na beira da praia, não é todo dia! E esse cardume? Chegava a fazer sombra no fundo quando passava.

Para quem estiver preocupado com a saúde da população de Arenosclerda brasiliensis na praia de João Fernandinho, repare nesta "plantação" de esponjas. Decididamente, esse bicho gosta deste lugar!

Até pequenas caverninhas podem ser encontradas neste mergulho de praia - a meu ver, um dos melhores do Brasil. Há alguns anos atrás listei 33 espécies de poríferos vistos no mergulho, e de memória. Não estava listando durante o mergulho. 

Para fechar a postagem, nada como uma vista panorâmica das praias de João Fernandes (em 1º plano) e João Fernandinho (ao fundo), em um dia esplendoroso - 28/10/2014. Uma expedição e coleta que não sairão da memória. Sorte da "marinheira de 1a viagem, Dora Moura"!